Com curadoria de Sandra Benites, exposição reúne 30 obras de 13 artistas indígenas e aproxima saberes ancestrais, arte, tecnologia e diferentes formas de imaginar o futuro
A exposição Nhe’ẽ Se – Desejo de Fala está em cartaz no Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia até 11 de outubro. Com 30 obras de 13 artistas indígenas contemporâneos, representantes de 12 povos de diferentes regiões do Brasil, a mostra propõe um encontro entre conhecimentos ancestrais, arte contemporânea, sustentabilidade e tecnologias.
O título Nhe’ẽ Se, que remete ao “desejo de fala”, dá continuidade a uma trajetória de pesquisa e exposições dedicada à produção contemporânea de artistas indígenas. Nesta edição, o conceito de Tecnologias Ancestrais amplia a reflexão sobre diferentes formas de conhecimento e sua capacidade de preservar memórias, territórios, identidades e modos de existência.
Ao reunir artistas de diferentes povos e regiões, a exposição cria um encontro entre conhecimentos ancestrais e criação contemporânea. No Petrobras Futuros, esse diálogo ganha novas possibilidades ao ocupar um espaço dedicado às relações entre arte, tecnologia e futuros.
A curadoria

Com curadoria de Sandra Benites, antropóloga, pesquisadora, curadora e doutoranda em Antropologia Social pelo Museu Nacional da UFRJ, a exposição apresenta diferentes formas de fazer e de pensar a relação entre território, memória, corpo e comunidade.
Guarani Nhandeva, do Mato Grosso do Sul, Sandra foi a primeira curadora indígena a integrar a equipe de um museu no Brasil. Sua trajetória é dedicada à pesquisa e à valorização das produções, dos conhecimentos e das perspectivas dos povos indígenas. A assistência de curadoria é de Rodrigo Duarte e Marcelo Garcia.

A exposição reúne trabalhos de Glicéria Tupinambá, Paulo Desana, Sioduhi Waikhun, Mayu Kuenan, Keyla Palikur, Mandacaru Karajá, Luakam Anambé, Ziel Karapotó, Olinda Tupinambá, Ana Kariri, Mandu Mello, Ypituna Pankararu e Vilmone Guarani, que utilizam linguagens e materiais diversos em suas criações.
Tecnologias ancestrais e futuros possíveis

Em Nhe’ẽ Se, a tecnologia aparece para além das ferramentas digitais ou das invenções contemporâneas. A exposição apresenta conhecimentos transmitidos entre gerações, técnicas de produção, materiais naturais, formas de organização coletiva e modos de relação com o território como tecnologias que continuam sendo atualizadas no presente.
Fotografias, tecidos, redes, maracás, tramas de penas e outros objetos revelam diferentes caminhos de criação. Os trabalhos de Paulo Desana e Ypituna Pankararu, por exemplo, aproximam tecnologias originárias e ocidentais. Já as obras de Ziel Karapotó e Glicéria Tupinambá partem de saberes ancestrais e de práticas coletivas.

As criações de Luakam Anambé, Mandacaru Karajá e Sioduhi Waikhun exploram tecidos, linhas e pigmentos naturais, articulando sustentabilidade, território e autonomia. Outros trabalhos, de artistas como Keyla Palikur, Vilmone Guarani, Ana Kariri, Mandu Mello e Mayu Kuenan, aproximam oralidade, corpo e memória a partir de materiais como embaúba, taquara, pedras d’água, peles de animais e entrecascas de tururi.
O Manto Tupinambá

Um dos destaques da exposição é o Manto Tupinambá, criado pela artista e pesquisadora indígena Glicéria Tupinambá em 2024 e apresentado na 60ª Bienal de Veneza, no Pavilhão Hãhãwpuá.
A obra é uma recriação contemporânea inspirada nos antigos mantos cerimoniais Tupinambá e foi produzida a partir de conhecimentos tradicionais do povo Tupinambá da Serra do Padeiro. O processo levou cerca de oito meses e envolveu pesquisa histórica, diálogo com os mais velhos da aldeia e técnicas tradicionais de confecção.
O manto foi produzido com aproximadamente 5 mil penas e cerca de 500 metros de linha de algodão encerada com cera de abelha do próprio território, evidenciando a dimensão artesanal e coletiva de sua produção.
Esta exposição é realizada com recursos do Edital Brasilidades e Futuros, no âmbito do PRONAC 249876 – BRASILIDADES & FUTUROS – ARTES VISUAIS, realizado pelo Ministério da Cultura e pelo Instituto Futuros, através da Lei Rouanet.
SERVIÇO
Nhe’ẽ Se – Desejo de Fala
Local: Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia - Galeria 2
Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo, Rio de Janeiro – RJ
Abertura: 28 de agosto de 2026, às 19h
Período: 28 de agosto a 11 de outubro de 2026
Visitação: quarta-feira a domingo, incluindo feriados, das 11h às 20h
Entrada: gratuita
Curadoria: Sandra Benites
Assistência de curadoria: Rodrigo Duarte e Marcelo Garcia
Artistas: Paulo Desana, Sioduhi Waikhun, Kuenan Mayu, Keyla Palikur, Mandacaru
Karajá, Luakam Anambé, Ziel Karapotó, Olinda Tupinambá, Glicéria Tupinambá, Ana
Kariri, Mandú, Ypituna Pankararu e Vilmone Guarani.
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Coprodução e Idealização: Via Press - Comunicação & Cultura
Produção: SOMOS Comunicação
Gestão: Instituto Futuros
Patrocínio: Petrobras
Realização: Ministério da Cultura
PROGRAMAÇÃO
Confira o que está em cartaz